O Truta orgulha-se de inaugurar esta secção com uma entrevista de antologia a José Silva, onde se fala de tudo um pouco, desde o livro "Eu, Carolina" passando pelo aquecimento global e até do Dalai Lama.Olá, bem-vindo ao truta.
Como vai?
O seu nome?
José Silva. Como sabe Silva é o apelido mais comum em Portugal, com uma origem claramente toponímica, e deriva da palavra latina silva que significa selva, floresta ou bosque. A denominação Silva, como defendem os estudiosos da onomástica, surgiu para designar as pessoas que viviam afastadas dos centros urbanos. Ora, eu vivo num centro urbano. Será que isso faz de mim um paradoxo humano?
Idade?
Tal como com as senhoras, não se pergunta a idade a um sem abrigo.
Que faz actualmente?
A partir do momento em que saí das quatro paredes a que estava confinado, abandonei a pressão claustrofóbica do apartamentozito que habitava e abri-me ao mundo, à liberdade sem limites. Mas respondendo à sua questão, fazer, não faço nada, pois o conceito de fazer implica criação, por isso insiro-me nos 80% da população mundial que nada faz. Nos tempos livres estou a ler o "À la recherche du temps perdu" de Marcel Proust, na versão original francesa.
Qual é o pior de morar na rua?
Cerca de 5% de coisas más.
E o melhor?
Seguindo a lógica aritmética da minha resposta anterior 95% de coisas boas. Mas há aqueles 6/7% de coisas mais ou menos, por isso 88% arredondados para cima.
Que pensa do livro "Eu, Carolina" ?
Penso que vem provar que Darwin estava correcto quando defendeu que o homem evoluiu a partir dos símios mas que há excepções, como neste caso, em que o inverso é o que parece ter sucedido.
Em relação ao aquecimento global, tem tomado medidas na sua vida que ajudem o planeta?
Sim, claro. O documentário do Al Gore teve o condão de trazer a público algo que eu já defendia há muito. Kyoto é um embuste. Como moro na rua e não tenho automóvel, os únicos gases que produzo são de natureza fisiológica.
Quanto calça?
42 na medida europeia e 8 na americana.
Lava-se quantas vezes ao dia?
Espiritualmente várias. Fisicamente nenhuma.
Que pensa da questão israelo-palestiniana?
Uns matam. Outros morrem. Repare que por vezes a profundidade está na simplicidade.
No livro "Anita e os ladrões do castelo" acha justo que o amigo dela Jorge seja castigado pelo pai quando chegou atrasado a casa?
Concordo, porque se o Jorge tivesse um Q.I. acima de 50 saberia que não devia voltar para casa mas sim ir viver para a rua, como eu. Logo, o castigo é inteiramente merecido, tal como eu faço com o meu gato quando ele me come os Whiskas.
Acha que os seios da Alexandra Lencastre são verdadeiros?
Não sei, mas gostava de saber.
Uma mensagem para o mundo?
Ide todos pró c*ralho! Desculpe-me o uso do vernáculo mas não encontro outras palavras para expressar o que penso.
Se pudesse ser rico ou acabar com a pobreza no mundo, o que escolhia?
Ser rico. O tempo das utopias morreu em 1989 com a queda do muro de Berlim.
Pensa que o ultimo álbum do Rão Kiau fica-se muito a dever ao antecessor?
Penso que o Rão Kiau há muito que se devia ter dedicado a tocar Flauta de Pã. De preferência noutra dimensão.
Se pudesse dizer qualquer coisa ao Dalai Lama, o que seria?
É verdade que consegue levitar?
Concorda com o Calvin Klein, quando ele diz que a cor para este Inverno é o roxo?
Não. Mas o senhor Calvin Klein sabe sequer o que é o Inverno? Ele passa-o na sua mansão rodeado de lareiras e ares condicionados. Até pode andar de calções e t-shirt e tomar banhos de piscina. Para ele o Inverno é igual ao Verão. As cores deste, e de todos os Invernos são claramente o preto e o cinzento. Parafraseando Ole Osterland de Bergen, Noruega: "There are only two colours in this world - grey and black".
Finalmente, uma personalidade que se pudesse convidava para dormir aqui consigo?
Numa perspectiva meramente carnal, penso que a supramencionada Alexandra Lencastre seria uma boa opção. Numa perspectiva psiquiátrica, sem dúvida que a Doutora Odete Santos.
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